16 de nov. de 2015

Procurando palavras

Minha Alma Precisa de Férias

Acordei meio cansada. Cansada de prender o choro, de contar as novidades, de comprar um vinho e convidar os amigos porque está tudo bem. Cansada de ser forte.
Dormi nua. Tirei as roupas e as máscaras junto, mas precisei recolocá-las pela manhã: uma calça meio surrada, um sapato confortável e um disfarce de gente feliz – feliz o tempo inteiro. Gente que tem a obrigação de ser agradável.
Passei a pensar demais sobre o mundo. Isso é meio arriscado porque a gente acaba enxergando demais – e, uma vez desvendados os nossos próprios absurdos, não se pode voltar atrás. Talvez a ignorância seja mesmo uma bênção – não se dar conta da crueldade com que eventualmente o mundo é capaz de nos tratar. E vendo que o dia amanheceu ensolarado, a certeza: está nublado por aqui.
Acordei meio cansada das minhas próprias escolhas. Só por hoje eu não quero decidir absolutamente nada – açúcar ou adoçante, bossa ou rock’n roll, bom dia ou foda-se?
Não quero ser compreendida. É só mais uma obrigação que dá muito trabalho. Só por hoje, não vou me esforçar pra ser amada. Que nada seja dito ou pensado ao meu respeito: hoje só me cabe existir.
Acordei meio perdida em meio aos tabloides, às pessoas, à confusão urbana que se confunde estranhamente com a minha própria confusão. Não vou escolher uma playlist: toquem o que quiserem. Não vou pensar sobre as pessoas: sejam exatamente o que quiserem. Hoje, só por hoje, não quero conclusões.
Quero passar despercebida, como numa capa mágica de invisibilidade. Quero quase não existir até conseguir me ajustar a esse medo de ser eternamente desajustada. Não quero deadlines ou compromissos ou sorrisos ou explicações. Só por hoje quero coexistir passivamente e sem qualquer resquício de indignação. Minha alma precisa de férias.

Texto de Nathali Macedo



Faz tanto dias que me cabe apenas existir que eu perdi a conta.
Quero passar despercebida até conseguir me ajustar a esse medo de ser eternamente desajustada.
Minha mente precisa de férias.

13 de nov. de 2015

Não insista em quem desistiu de você

Infelizmente nem todo relacionamento é pra sempre. A minoria é. Os livros e os filmes só não costumam mostrar isso. Geralmente ilustram só a parte boa, onde sempre há um final feliz. A vida real é bem diferente, nem sempre é tão bonita. Os relacionamentos também. E eu não estou dizendo que você não terá um final feliz. Acredito mesmo que você terá. Mas no meio do caminho existirão curvas, pedras e vontade de desistir.

Não é só você. Tenha certeza disso. Amores chegam, amores vão. Um dia a gente ganha, no outro a gente perde. Uma noite você desiste de alguém, na outra alguém desiste de você. É a vida. Por isso, não fique bravo comigo quando eu te disser que se o seu relacionamento acabou, mesmo ainda existindo sentimento da sua parte, você deve aceitar isso e só. Eu sei que é difícil, mas quanto você aprende a pensar dessa maneira, as coisas começam a ficar bem mais fáceis.

Claro que nada é definitivo. Mas nunca mendigue sentimentos a ninguém. Se você tem que convencer alguém a ficar, algo não está certo. Se você se vê listando motivos para a pessoa não desistir, algo está muito errado. Também não fique pensando que um dia vocês irão voltar e que é apenas uma questão de tempo até as coisas entre vocês se resolverem. Se alguém não demonstra claramente que quer você do lado, já passou da hora de você mudar de lado. Se alguém tem dúvidas sobre os sentimentos por você, o problema é todo desse alguém. Apenas respeite e se retire. Até porque, antes de tudo, você deve ter a certeza do amor que tem por você mesmo.

Não se iluda, não fantasie. Se um dia for dar certo, dará. Por enquanto, aceite. A-CA-BOU. Deu vontade de chorar? Chore. Quer gritar? Grite. Fique de pijama por uns dias, coma um pote de sorvete, escute músicas tristes e assista filmes de amor. Depois lava o rosto, respira fundo e comece a viver a sua vida. Só quem aprende a dar adeus às coisas boas do passado está preparado para receber coisas ainda melhores no futuro.

Isso não significa que você deva fingir que nada aconteceu, sair para mil lugares como se não houvesse amanhã só pra fazer média e mostrar o quanto você está bem pros outros. Ocupe seu tempo, mas respeite o seu momento. Foque nas coisas que você realmente gosta e te fazem bem. O importante é o que você sente, não o que o resto do mundo pensa. Calma, é devagar que as coisas vão dando certo.

Você merece um amor de verdade. E te garanto que ele não é assim. Amor de verdade não é feito de migalhas, costuma vir em excesso. Quando alguém realmente te quer, não existe nada tão grande que impeça isso. Há um jeito pra tudo. Se parece estar muito difícil, persistir é erro. Quando mais você adia, mais doloroso fica. Muito pior do que reconhecer o fim, é continuar ao lado de alguém que já não está mais ao seu lado faz tempo.

Às vezes dói, dói mesmo, dói pra caramba. Eu sei, já doeu em mim também. E um dia, certamente, irá doer de novo. Porém, aprendi que quanto mais a gente cutuca o machucado, mais ele demora pra curar. Quando a gente aprende a conviver com a ferida e a deixa sossegada, logo percebe que a dor e o tamanho vão ficando cada vez menores... Ao final, resta uma pequena cicatriz, que fica pra te lembrar o quão forte você é e que mesmo que várias dessas consigam te derrubar, nem um milhão iguais poderão te fazer desistir.

by Jessica Delalana


E toda vez que eu penso em ir atrás e te arrastar de volta à força, eu leio esse texto.
Eu sempre enchi a boca e o peito pra dizer que não dá pra desistir, que tem que acreditar, ter esperança. Que o amor vale a pena mesmo quando a gente se machuca, porque é aí que a gente prova que está vivo, etc, etc.
A última frase do texto vem de encontro a minha 'filosofia', e esse último tombo quase me fez deixar de acreditar nisso tudo.
Eu disse quase, mas foi por muito muito pouco, por um triz,


Saudade.
Vazio diminuindo.
Tem certeza que não quer voltar?

27 de out. de 2015

Roubando textos

Não sei porquê

Hoje quando acordei, em meio a aquela bagunça acumulada de uma semana de noites mal dormidas, encontrei uma foto nossa jogada no chão.
Observando aquela foto por instantes, viajei pro dia em que a gente se conheceu, relembrando cada encontro, nos mínimos detalhes, e deixando escapar sorrisos incontroláveis, acompanhados de suspiros.
Incrível era o efeito do seu sorriso em mim, aquele que se fosse utilizado em uma guerra desarmaria o inimigo, aquele que transparecia todo aquele seu coração cheio de dúvidas e meias certezas.
No meio das lembranças, aquela da manhã em que eu fechei a porta e disse: Bom trabalho!
Não sei porque diabos ainda me preocupo com você.
Porque ainda guardo o canto do bolo, um vinho na geladeira, aqueles cookies (que eu nem como) pro café da manhã.
Não sei, mas ainda passo naquela esquina no mesmo horário, na esperança de ver você passar, ainda lembro de você todo fim de tarde quando chove, e quando não chove também.
Porque ainda escuto as mesmas músicas, uso aquela camiseta surrada que você pegou emprestada uma vez. Frequento os mesmos lugares. Ainda deito do outro lado da cama, esperando que você volte a ocupar o seu, mesmo já fazendo um mês que você se foi.
Aquelas fotos ainda estão na estante, ainda frequento suas redes sociais e reviro a casa toda procurando sinais que me façam acreditar que você realmente algum dia esteve ali, dividindo aqueles metros quadrados comigo.
Eu sei, mas espero aquele convite do jantar, aquela ligação me perguntando se estou em casa, ainda espero que entre por aquela porta, dizendo que aquele  "bom trabalho" estava errado e que voltou pra me dar mais um beijo.
Não sei porque ainda rego esperanças quase secas no meio desse deserto, deposito toda a minha fé na sua volta, que parece tão improvável.
Não sei porque não me disponho a te esquecer, não sei, mas insisto em insistir em você.


Adaptado de 'Alessandra'
De um blog que achei esses dias
Um blog que me faz um mal danado de verdades
Já estou parando de insistir, eu juro. Cada dia é mais um dia 'sóbria'
Eu devia ganhar moedas.

8 de out. de 2015

Oi

E só fico pensando que chegou quinta-feira
Então acabou a semana pra você, pra mim
Eu fiquei esperando o interfone gritar de segunda até hoje
E quando tocou era todo mundo menos o porteiro brincando comigo e com teu nome
Eu só queria que você quisesse
Que me surpreendesse
Que fosse diferente
E que essa fosse a vez de eu me provar suficiente
Talvez eu só tenha mesmo cumprido minha função de satisfazer a 'alma' masculina
Ontem vi o vídeo do Ed Sheeran que você indicou
Golpe baixo
Parece que sabia que em duas semanas eu ia estar na fossa
Ainda te quero
Volta?
Não posso nem pedir isso em voz alta
Mas volta?!



"I found your hair band on my bedroom floor
The only evidence that you've been here before"
Ouvindo U.N.I - Ed Sheeran

Queria que alguém ainda me lesse.




Tantos erros...

4 de out. de 2015

Insensatez

Você me permite ir, você me permite escolher, você é democrática, sensata, elegante, madura, equilibrada, não procura forçar sua opinião, impor sua vontade, você oferece espaço, aguarda, pede que eu reconheça seu valor, sai de perto para não pressionar, chora e sofre distante, recrimina o ciúme e me exclui.
Desculpa. Mas amor não é justiça, amor não é julgamento, amor não é consciência, amor não é controle.
Amor é um filho da p. da insistência, é manter-se perto, próximo, junto, grudado, até que o entendimento da vida estale.
Não é se afastar, não é facilitar o trabalho dos outros se afastando. Não é exigir que venha agora ou nada, que venha inteiro ou nada. Diante do extremismo, sempre ficaremos com nada.
Partilho da crença de que o provisório é tudo.
Pode vir pela metade, fragmentada, dividida, um terço de si, uma parcela, que eu aceito e completo. Eu lhe quero do jeito que der, do jeito que for.
Pode vir confusa, em crise, indecisa, ambígua, que logo unifico seus receios.
Não confio na saudade, confio na presença. A saudade só adoça o arrependimento.
Eu não saúdo a saudade. Eu dou a porta de saída para a saudade.
É com a convivência que vou mostrar que sou o melhor para seu temperamento, que sou também o pior, que sou o que espera, e sou também o que não espera, que sou sua alegria e também sua desordenada raiva, que sou seu encantamento e também sua decepção, que sou o centro de seus dias e também as margens de suas noites.
Não serei educado para deixá-la em paz. Nunca. Amor quando dói é mal-educado. Falarei excessivamente, farei sinais e gestos passionais, tremerei mais do que copo de morto - terá o que se lembrar de mim.
Não finja que deseja meu bem. Não há bem com a distância. Deseje meu mal, mas deseje que eu seja seu.
Aquele que é o nosso maior erro costuma ser o grande amor de nossa vida.


(Eu gostaria que fosse)

Fabrício Carpinejar
Ele fala por mim.

22 de set. de 2015

Paz pra mim é isso

O espetáculo que é ver o seu amor dormindo

E os primeiros raios de luz do dia que entram pelas frestas da janela de madeira já não incomodam quando você está ao lado. Porque é você quem está ao lado. Você, que geralmente dorme à minha esquerda, hemisfério corporal onde, dizem os especialistas, mora o coração. E então, por um momento, tudo parece fazer sentido. Foi essa a sua mandinga pra entrar no meu coração e pra, de quebra, tomar conta da minha cabeça e transbordar a minha vida. Não adianta negar. Foi essa a tática infalível pra que eu abrisse a porta da minha casa, o fecho do meu sutiã e incontáveis sorrisos de mais de oito graus na escala Richter.

Te olho dormindo. De bruços, os braços estendidos para cima e o rosto levemente virado para o lado. A respiração calma e silenciosa, como se você descansasse numa daquelas paisagens bonitas que a gente só vê em filme. As costas discretamente torneadas, como se cada músculo não fosse fruto de mais do que um esforço cotidiano. A boca perfeitamente cerrada, como se aqueles lábios grudados guardassem o segredo da criação do mundo. E é inevitável eu me perguntar como cabe tanta beleza num corpo tão pequeno. Tão compacto, tão discreto, tão sutil. Tão branquinho. Tão diferente do meu, todo desenhado e que nunca entendeu direito aquele tal de “menos é mais”. Tão menos e que consegue ser tão mais. Você, meu amor, saiu de uma pintura renascentista. Só pode ser isso. Você fugiu do teto da capela Cistina direto para os meus lençóis. Ciao, Michelangelo.

Porque aqui a vida é mais feliz. Tem travesseiro macio, embora você o dispense todas as noites. Tem cobertor, embora o meu calor lhe seja mais convidativo. E tem o meu corpo quente – ah, esse você não troca por nada. Só por uns minutinhos de sono a mais quando é ainda dia de semana. E sabe que eu até gosto? Porque nada me recompõe tão bem quanto saber que você está em paz. Que nenhum pesadelo feriu sua madrugada. Que os monstros que, um dia, talvez, tenham dormido embaixo da sua cama, foram embora pra nunca mais. Que o universo conspira a favor de nós. E que eu passaria noites inteiras velando o seu sono.

Eu, então, me aproximo para deixar um beijo no seu rosto inerte. (...) E eu fico pensando que nunca, jamé, nem never more eu conseguiria ser rude ou pouco doce na hora de te resgatar das profundezas do seu sono, que é sempre justo e bonito. Assim como você. E quando aquele raio de sol do meio-dia queima a sua retina por através das suas pálpebras, eu morro um pouquinho. Pra quê acabar com um dos espetáculos mais bonitos do planeta Terra, caro sol? Mas renasço ainda mais feliz assim que você me lança aquele primeiro olhar do dia, seguido de um sorriso, de uma carícia quase que infantil e de um preguiçoso beijo na boca, me chamando pra uma sacanagenzinha matinal e anunciando que, independentemente do que o Climatempo disser, o dia de hoje será mais bonito. Só porque você acordou ao meu lado.

Não sei pra vocês, meus amigos. Mas paz, pra mim, é isso.

By Bruna Grotti

13 de set. de 2015

Se você soubesse / Se eu soubesse.

O luto é lento. O homem pode disfarçar transando, separando o sexo do arrebatamento, tentando se relacionar à força, saindo com os amigos, aparecendo em festas, mas o luto é lento. 
Se você soubesse como é difícil o homem amar, como é raro o homem amar. 
O quanto é difícil. O quanto não será fácil acontecer outra vez.
Amor é desde o primeiro encontro, chuta a porta, arrebenta o trinco, esculhamba a vida.
Amor não é convencimento, persuasão, escolha do que é perfeito, do que se encaixa com o nosso temperamento.
Amor não é compatibilidade, afinidades eletivas, prazer da companhia. 
É o improvável, é o inesperado, é o desconhecido. 
É um mistério absurdamente desafiador, ingrato e perigoso
Vai além da amizade, do controle, do domínio, do interesse.
Amor é ser incompetente para compreender. É se despedir beijando, é se despedir indicando o contrário.
E muitas vezes se afastar não é se despedir - é apenas sofrer, agora sozinho, a falta de entendimento
Se você soubesse o quanto é complicado para o homem se abrir para alguém, atingir a cumplicidade e a confidência.
Homem não fala tudo para os amigos, homem fala o que pode. Mas o homem fala tudo para a mulher que ama, fala o que não imaginava falar um dia. 
A palavra é a última reserva masculina, a última guarida. Ele somente se confessa na intimidade.
Ao se separar, o homem perde a palavra. Talvez queira compensar com atos e bravatas, porém perde a palavra. 
Pode se vingar com o sexo, só que não é ele, não há brilho contumaz em seus olhos, não há a façanha da esperança, não há insegurança que o deixa seguro do que sente. 
Se você soubesse a exclusividade do amor masculino. A adoração do amor masculino. A loucura do amor masculino. A insistência secreta do amor masculino. 
Se você soubesse que jamais será substituída, trocada, apagada.
Que talvez ele nunca diga isso porque vão brigar antes. 
Talvez ele nunca agradeça o que recebeu ou o que ofereceu porque não terá oportunidade ou se calará diante de sua descrença. Você já não confia nele. Você é feita do extremo, da renúncia, como toda mulher: ou é ou não é, ou mente ou conta a verdade, ou demonstra ou está fingindo.
Não é assim que funciona para o homem. Homem é confuso, é incoerente, ele é mentira e verdade junto, brincadeira e seriedade misturadas, não tem como discernir. 
Se você soubesse.
Ele acordará bem num dia, mal num outro, vai cercar o coração com a razão, e seguir adiante. 
Seguir adiante não é superar, é se acostumar com a dor. 
Não confie na aparência feliz, o pássaro que canta pode estar chorando.
O luto demora, pois não existe para ele, que continua casado por dentro. 
Se você soubesse o quanto ele te ama.
E melhor ainda se você acreditasse.

Fabrício Carpinejar




Algum dos meus (muitos) leitores pode dizer se isso procede?
Agradecida

Beijos da Amy