Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal
E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós
Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor
Essa música é de interpretação e autoria de Maria Gadú. Essa informação me chocou de início porque a cantora se tornou adorada da mídia e, normalmente quem explode assim tem por trás grandes compositores e tem apenas uma voz distinta. Mas não, além da voz original e maravilhosa (como é o estilo da cantora fora do palco) ela criou, além dessa composição, várias outras de uma inteligência sublime que espero poder mostrar aqui com o tempo.
Essa mulher traduziu um sentimento comum (não entrarei no mérito se é real ou não). É aquela sensação: meu coração não me obedece. Quero amar quem me ama, quero me envolver com quem me oferece uma vida a dois. E querer não basta.
Pra mim, a explicação está aí, nas entrelinhas. Maria afasta a responsabilidade desse tipo de decisão dela, transferindo o poder de libertar seu coração para um outro alguém que não se sabe quem. Como se um indivíduo - ou, na minha opinião, vários - retirassem seu coração se circulação pelo tempo que acharem suficiente.
Não dá pra negar. Por mais que a gente saia mais machucada do que machuque, a gente machuca também. E transferir a liberdade do próprio coração para esses outros corações partidos é genial, porque faz sentido.
A questão é... porque o meu altar particular não tem esse tom de vodu que deixa quem amei, ou ainda amo, sem liberdade pra amar mais ninguém?
Eu peço, devolva meu coração. Eu peço, resolva cuidar dele e canonize-o. Já paguei preços infinitos de dor, solidão, carência e desejo.
Pra finalizar, ela muda de cenário e une a distância eterna do tempo que tornou sua tristeza normal, com a vida, que vai passando no vazio... Estando com tudo a flutuar no rio esperando a resposta. A resposta ao que chama de amor.
Faço das tuas palavras as minhas, Gadú.
Espero que quem colocou meu pobre coração no altar me devolva a autonomia que eu preciso pra viver tudo que eu preciso viver antes que o frio impere.
Meninas, estou olhando pra uma lua cheia maravilhosa com saudade de vocês e com tanta coisa pra falar. Tanta bobagem e tanta coisa importante. Eu preciso de vocês mais perto. Relaxem, a liberdade desse amor ninguém pode tirar de mim.
17 de fev. de 2011
21 de nov. de 2010
Conclusões
E cada conclusão gera novas dúvidas...
Será que no fim das contas minha capacidade de ser plena comigo mesma não é maior do que a de ser com alguém do meu lado?
Minha restrição em abrir mão do que eu tenho agora, da minha vida, da minha rotina, é tamanha... que eu não sei onde encaixar o amor que eu tanto busco, o companheiro que eu quero do meu lado.
É possível achar alguém que se encaixe? Que só agregue mais coisa boa nesses finais de semana que são tudo pra mim? Ou será que o que falta é alguém que me faça querer abrir mão (pelo menos em parte) do que eu tenho?
Há um ano ou dois eu abriria mão de algumas coisas por um ou outro que apareceu na minha vida. Mas eu aprendi - porque tive que aprender - a me virar bem sozinha. A me virar bem - na maior parte do tempo - com as faltas, com as lacunas que invariavelmente existem. E, depois desse tempo comigo mesma, eu percebi que os fatos pelos fatos não adicionam nada quando são curtos e passageiros. O que não dura parece que só leva mais da energia que tu conserva com tanto esforço, faz tua cabeça imaginar que talvez exista algo aí fora, mas tu é obrigada a voltar pra como era antes. E essa volta cria uma nova falta, que tu, obrigatoriamente, vai suprir usando todos os métodos que tu desenvoleu nesse tempo todo.
Eu quero pra mim algo que fique, que não vá embora, mas que não mude tudo. Eu quero um relacionamento maduro e não uma loucura adolescente. Seria pedir demais começar uma relação no nível que os casais alcançam lá pelos 2 anos? Uma relação madura, livre... uma relação que encaixe.
I just want someone who fits.
Será que no fim das contas minha capacidade de ser plena comigo mesma não é maior do que a de ser com alguém do meu lado?
Minha restrição em abrir mão do que eu tenho agora, da minha vida, da minha rotina, é tamanha... que eu não sei onde encaixar o amor que eu tanto busco, o companheiro que eu quero do meu lado.
É possível achar alguém que se encaixe? Que só agregue mais coisa boa nesses finais de semana que são tudo pra mim? Ou será que o que falta é alguém que me faça querer abrir mão (pelo menos em parte) do que eu tenho?
Há um ano ou dois eu abriria mão de algumas coisas por um ou outro que apareceu na minha vida. Mas eu aprendi - porque tive que aprender - a me virar bem sozinha. A me virar bem - na maior parte do tempo - com as faltas, com as lacunas que invariavelmente existem. E, depois desse tempo comigo mesma, eu percebi que os fatos pelos fatos não adicionam nada quando são curtos e passageiros. O que não dura parece que só leva mais da energia que tu conserva com tanto esforço, faz tua cabeça imaginar que talvez exista algo aí fora, mas tu é obrigada a voltar pra como era antes. E essa volta cria uma nova falta, que tu, obrigatoriamente, vai suprir usando todos os métodos que tu desenvoleu nesse tempo todo.
Eu quero pra mim algo que fique, que não vá embora, mas que não mude tudo. Eu quero um relacionamento maduro e não uma loucura adolescente. Seria pedir demais começar uma relação no nível que os casais alcançam lá pelos 2 anos? Uma relação madura, livre... uma relação que encaixe.
I just want someone who fits.
15 de nov. de 2010
It's about to happen
"Também o luto e a dor são importantes – desde que não nos paralisem demasiado por demasiado tempo.
O apoio dos outros é relativo e passageiro. A força decisiva terá de vir do nosso interior, onde se depositou a bagagem de nossa vida. Lidar com a perda vai depender do que encontraremos ali: se nesse lugar crescem arvores solidas, teremos onde nos agarrar. Se houver apenas plantinhas rasteiras, estaremos mal. Por isso, alias, a tragédia faz emergir forças insuspeitadas em algumas pessoas, e para outras aparece como uma injustiça pessoal ou uma traição da vida".
It's about to happen, the grief has gone. I feel something is about to change, it's going to change because I've decided it. It's going to changce because it's all on me. It has always been and I know it a long time ago, I was just not ready. I still don't know how to get there, but I'll reach it. I'm damn pretty sure.
O apoio dos outros é relativo e passageiro. A força decisiva terá de vir do nosso interior, onde se depositou a bagagem de nossa vida. Lidar com a perda vai depender do que encontraremos ali: se nesse lugar crescem arvores solidas, teremos onde nos agarrar. Se houver apenas plantinhas rasteiras, estaremos mal. Por isso, alias, a tragédia faz emergir forças insuspeitadas em algumas pessoas, e para outras aparece como uma injustiça pessoal ou uma traição da vida".
It's about to happen, the grief has gone. I feel something is about to change, it's going to change because I've decided it. It's going to changce because it's all on me. It has always been and I know it a long time ago, I was just not ready. I still don't know how to get there, but I'll reach it. I'm damn pretty sure.
18 de out. de 2010
Vida
(...) "Você é uma mulher poderosa e está acostumada a conseguir o que quer da vida, e não conseguiu o que queria da vida nos seus últimos relacionamento, e isso te deixou toda travada. Eles não se comportaram da maneira que você queria. A vida fez o que você não queria. E nada deixa uma controladora mais puta da vida do que a vida não fazer o que ela quer (...)".
(...) "Se você correr atrás da vida com sofreguidão demais, ela leva à morte. O tempo – quando perseguido como um bandido – se comporta como um bandido; está sempre uma fronteira ou uma sala na sua frente, mudando de nome e de cor de cabelo para enganar você, saindo pela porta dos fundos do hotel no mesmo instante em que você chega ao lobby com seu mais recente mandado de busca, deixando apenas seu cigarro aceso no cinzeiro como provocação. Em determinado momento, você precisa parar, porque ele não vai parar. Você precisa reconhecer que não vai pegá-lo. Que a idéia não é pegá-lo. Em determinado momento você precisa relaxar, ficar sentado e deixar o contentamento vir até você (...)".
(...) "Se você correr atrás da vida com sofreguidão demais, ela leva à morte. O tempo – quando perseguido como um bandido – se comporta como um bandido; está sempre uma fronteira ou uma sala na sua frente, mudando de nome e de cor de cabelo para enganar você, saindo pela porta dos fundos do hotel no mesmo instante em que você chega ao lobby com seu mais recente mandado de busca, deixando apenas seu cigarro aceso no cinzeiro como provocação. Em determinado momento, você precisa parar, porque ele não vai parar. Você precisa reconhecer que não vai pegá-lo. Que a idéia não é pegá-lo. Em determinado momento você precisa relaxar, ficar sentado e deixar o contentamento vir até você (...)".
12 de out. de 2010
28 de set. de 2010
7 de jul. de 2010
Muito
Tudo é muito para um coração de repente enfraquecido que só suporta o menos, só pode querer o pouco e aos poucos.
Clarice Lispector
Clarice Lispector
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