É do invisível que sou feita.
Estou treinada a me separar para retornar mais forte. A despedida é desaparecer.
O que sinto não falo, dói. A inclinação para transparência não significa profundidade. Não me cabe encerrar a vida de ninguém.
Não sou mais a mesma. Nunca mais serei a mesma.
Não sofro parelho, harmônico, um naco por vez. Sofro pra explodir, em uma única dose, até cansar de sofrer. O travesseiro detesta, mas nesse momento é rebaixado para toalha de rosto.
Duvide de minha alegria. Duvide de minha indiferença.
Não há como recuar depois de arder alto, mas eu fui lançada cedo demais às cinzas. A paz daqui por diante será trégua.
Minha insônia não muda a claridade. Torno a presença imaginada ou a ausência real.
Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer que fez o melhor, fez o que podia. Não crio arrependimentos por aquilo que não foi feito. Tudo o que não aconteceu é perfeito (às vezes o que aconteceu também), mas dou chance para a imperfeição. Insisto.
A tristeza me empurra a colocar data nas fotografias, a alinhar em ordem crescente os amores extraviados, a imaginar as alegrias que ainda não vieram.
Desejava encontrar no mundo um amor igual ao meu. Se não suporto o meu próprio amor, como exigir isto? Não sou treinada a suportar um amor sem alarde. Dependo das janelas, do conforto do colo. Da segurança de um pouso. De uma paixão educada. Do que não será visto se for cumprido. Do que não será observado caso aconteça.
Queria encontrar alguém mais louco do que eu para voltar à normalidade.
Eu sempre fui livre, não importa o que os outros digam. Eu não vou renunciar a mim. Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser. Tudo que vivi foi profundamente. Eu quero estar viva. Quero viver o dia de hoje como se fosse o primeiro, o último, o único. Quero viver o momento de agora como se ainda fosse cedo, como se nunca fosse tarde.
Ajeita-se a vida como pode. Um dia a menos não será depois um dia a mais.
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