Tensionados, não existe escolha, existe precipitação.
Minha lentidão é despedida. Quanto todo gesto se torna relevante por ser irrelevante. Não desloco os cotovelos porque os músculos argumentam que não vale a pena. Demoro nos movimentos singelos como levantar a xícara de café. Ele já esfriou e não sofro com isso. Não sofro com coisa alguma. O maior sofrimento é não sofrer. É quando não há mais nem animo para sofrer. E conhecemos a apatia da dor, um cansaço inacreditável, e resta a canção sem a letra, resta a vontade do poema e sua desistência. O pensamento vem e apago. Não me interessa apanhá-lo. Passo a ser meu único leitor. Não tenho esperança se que ficará emocionada, que me avisará que foi um susto desnecessário e me acalmará para dormir em seguida.
Permaneço sentado nas mãos. Solteiro dos anéis que não vieram. Se chover, então, vidro-me na varanda sem mexer o tronco. Torço para que a chuva demore. Não suportaria os conselhos das calhas.
Sou a completa anulação do sentido para me movimentar. Espero que pule da dor para me abraçar. Mas sei que o entusiasmo é frágil. Podemos supor que estamos recuperados e logo afundaremos novamente no delírio. A cabeça nos engana e as pernas não mandam os últimos boletins.
Arrebento-me de arroubos e arrebatamentos. Mas a realidade é longe da minha casa. Não há amigo que me transmita o que tenciono escutar, que arranque o pessimismo poroso das folhas. Anseio por algum médico que nos avise que temos poucos meses de vida; é o suficiente para reunir forças.
A solidão é cheia de boas intenções.
Fabrício Carpinejar falando por mim.
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