26 de abr. de 2016

Eu queria correr

Eu queria correr.
Desenfreadamente, sem limites, para onde o único destino fosse aquele imposto pela medida da minha exaustão.
Eu queria correr para longe, distante o suficiente, para ouvir apenas os meus passos, onde o som mais intenso fosse o arfar da respiração.
Eu queria correr numa só direção, numa estrada reta, sem horizonte.
Correr num ritmo constante e sem fim.
Eu queria sentir o vento secando a pele, do meu esforço, tirando meus cabelos do rosto.
Eu queria chegar ao fim e começar de novo.
Correr sem rumo ou descanso, sentindo cada músculo ardendo no corpo, sentindo a dormência do sangue em movimento.
Eu queria correr até me faltar o fôlego, até abrir o peito, e solto, poder sair do chão.
E que seja qual for o fim do percurso, que seja a minha companhia o silêncio que só a ausência permite, ao coração.

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